sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Jornal: Ler ou não ler, eis a questão

Nessa semana eu dei um pequeno susto na minha professora de comunicação. Todo mundo estava falando de si mesmo: idade, se gostava de TV, o que faria como habilitação (se você não está inteirado em Comunicação Social, saiba que existem três habilitações específicas depois do ciclo básico: publicidade, cinema e jornalismo).
Eu não quis mentir: Não gosto de TV e não gosto de ler jornal. Acho que ela arregalou o olho depois de ouvir isso. A sala, em total silêncio. Sei que o pensamento de muitos foi: "Meu Deus, o que você está fazendo aqui criatura???" Tá, eu vou tentar explicar - ao menos - para os poucos que visualizarem meu blog.

Primeiro: Eu tendo a atitudes polêmicas. Não que eu tenha tanta personalidade assim, mas eu sou meio impulsiva, PORTANTO, não confie completamente no que eu disser em público, porque é quando minhas mãos tremem mais q vara verde em ventania, e quando ajo sob pressão. E admito, eu mesma teria me questionado. "Que figura maluca é essa? E como ela consegue tirar notas boas sendo assim?"

Segundo: Não que eu não goste de ler jornal. Mas eu admito que estou meio magoada com ele. Eu, sinceramente, acho um saco ler jornal como ele é hoje. Metade do jornal é desastre. Querido, eu moro na Penha! Eu vejo desastre ao vivo, não preciso de jornal pra isso... Eu já vi um ônibus queimando quase em frente à minha casa, já vi traçante, sangue de homem morto na esquina. Sinceridade, chego da faculdade cansada, cheia de pensamentos sobre mídia, comunicação em massa, alienação e tudo mais. Dou graças a Deus por não ter encontrado um desastre na rua dessa vez e vou para o calorzinho do meu lar abrir o jornal e ler tiroteio no Alemão, Força Nacional pega traficante, delegacia é metralhada...? Eu não, fala sério.
Eu sou uma curiosa. Leio tudo que aparecer, pode ser o que for. E O-dei-O ficar parada, tenho uma mente inquieta. Leio revista Caras no dentista, Turma da Mônica, até Viva Mais se deixar... Leio livros e mais livros, amo filosofia - a não ser Sartre, que é pior que ler jornal -, antropologia, cultura, arte e, ah, a música! Eu amo música demais! Mas não gosto de más notícias. E me reservo ao direito.
Isso não significa que eu prefira estar alienada das más notícias, eu só não quero ficar fuçando, absorvendo... Li uma vez, é o suficiente.
A partir do momento que as pessoas, além de problemas, apresentarem soluções, eu vou ler tu-di-nho. Eu sou muito sensível, meu amigo! Isso pra mim é questão de sobrevivência. De más notícias, já basta o que tenho de enfrentar no dia-a-dia da vida...

Terceiro: Você vai me dizer: "Ah, mas o jornal tem cultura, esportes, turismo... Não é só desastre!" Tá, e eu concordo. Mas vamos ver se compensa. Eu não moro na Zona Sul, moro na Zona Norte, onde vala estoura e a prefeitura leva meses pra consertar... Lugar de gente simples, que compra roupa na Citycol, na feirinha e na liquidação, isso quando pode, e não se envergonha disso! Gente que não chega a ser miserável, mas também não ultrapassa o limite de classe média. Eu estou inserida neste contexto. Sou uma bolsista sem dinheiro: ou como, ou ando de ônibus, ou tiro xerox, ou compro jornal, ou economizo em tudo isso para comprar um livro! rs. Ainda bem que levo isso na risada!
(Quando a gente é pobre, aprende a calcular custo-benefício rapidinho! ->) Bem, um bom jornal custa em média R$ 2,00. De uma metade vou ler apenas o título e o subtítulo, que é a parte das tragédias. Logo, 1 real jogado fora. Neste 1 real que sobra, estão as matérias de cultura, arte, economia e as colunas. Aí eu, toda contente, abro na parte do jornal que não foi pro cachorro... E vejo uma matéria sobre a difusão do funk pelo mundo. Leio, mais pela revolta que pela minha própria vontade, e me assusto ao saber que o Brasil, que já exportou samba e bossa nova de qualidade, anda propagando o funk. Aí eu penso: nós brasileiras já somos muito mal vistas lá fora. Agora, entorna o caldo de vez: "Vai cachorra, popozuda..."

*** Pra você me entender melhor: Vejo o funk como a expressão ritmada da despreocupação social e educativa do Brasil com os menos favorecidos. A desvalorização da mulher, a banalização do sexo e tudo mais que o funk exalta, é o resultado da perda de limites. Quem faz funk não é culpado, mas acho que a demoralização engrandecida por este "estilo musical" não deveria passar em branco, já que é resultante de sérios problemas.***

Então veja bem: vou pagar R$ 2, 00 pra não ler a metade, e para ainda correr o risco de não gostar do resto. Então, para mim não vale. De forma alguma desvalorizo o trabalho desses profissionais mais que experientes que fazem um jornalismo de qualidade, mas acho também que nós, comunicadores, temos eternamente o desafio de nos tornarmos próximos do público e falarmos sua língua, de uma forma que até eu, que não gosto de funk, leia uma matéria sobre esse assunto porque tem algo que me interesse. É lógico que isso é difícil, mas eu acho que esse deve ser nosso desafio diário. Chega de textos insossos! A sociedade está tomando um rumo e o jornalismo terá que acompanhar, no qual matérias sem sabor não terão lugar. É lógico que denúncias devem ser feitas sempre, mas seriedade não significa chatice.

Se eu estiver errada, alguém me corrija pro favor. Eu só prefiro ver o lado bom das coisas e, ao ver o lado ruim, consertá-lo, ao invés de apenas dizer que ele existe.

Quarto: Para não dizerem que sou uma menina rebelde, desde já aviso: descobri que o jornal O Globo disponibiliza sua edição diária on-line e, apesar de não gostar muito de ler na tela do computador, dou uma lida sempre que posso, cerca de 4 a 6 dias da semana. Mas continuo achando chato... A não ser a parte de cultura, arte e, ah, a música! Eu amo música demais! Bem, menos funk.

Já a TV é outra história...

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