terça-feira, 16 de outubro de 2007

Arte em letras

É delicioso receber um baita elogio de um professor sobre o que escrevemos.
Nossos olhos brilham, a gente descobre que nosso esforço não foi em vão, e volta em nós o pensamento infantil, ingênuo, que deu origem a tudo: "sim, eu posso mudar o mundo!"
Não, não é sentimentalismo barato. Deixem eu ser poética (só por hoje, prometo!). Isso faz a gente refletir um pouco sobre o que é, afinal de contas, a arte de escrever.

Eu sempre gostei de escrever, desde criança. Adoro quando elogiam coisas que sempre gostei de fazer. Parece que o nosso gosto por aquilo se expressa nas palavras, nas formas, nas idéias... O que a gente, no fundo, às vezes acha que não acontece.

Sempre tive um gosto doido pra arte. Essa coisa de inspiração... Meio louco isso né? Lembro de quando eu era menor - sim, eu era menor (é possível). Escrevia poesias, idolatrava a tal de inspiração... Bons tempos em que eu começava a pensar e ela me vinha. E eu procurava correndo uma caneta. É lógico que muitos coisas não tinham lá graaaande genialidade, eu era uma criança, escrevia o que dava na telha. Ia rimando, conforme eu achava que devia ser toda poesia; rimadinha, com ritmo, sílabas finais iguais, intercaladas... Escrevi um caderno de poesias com elas. Lotado. Quando eu leio hoje acho um desastre. Sinto vergonha de mim! Ajo até meio estranho... Fico tentando imitar a cena e nem me dou conta, penso alto, imagino as muitas amigas da minha mãe que leram isso e disseram "que bonitinho". E me acalmo lembrando que já passou, foi uma etapa. Mas dou valor. Tinha coisa ali que prestava, coisas bonitas até pra um adulto.

Depois percebi que poesia de verdade pode ser feita em prosa. Porque o que interessa mesmo é o significado, a fórmula e o ritmo só são úteis se também produzirem sentido. Ou senão, é só glacê de bolo, que todo mundo acha bonitinho mas ninguém come - me desculpe se você come glacê, deve admitir que é parte de uma minoria.

Outra coisa que eu descobri sobre escrever é que o escritor incansável é aquele que cansou de tentar falar (Olha que frase bonita! Demorei horas pra bolar! hehe!). Vê como é verdade: sabe aquele garoto da 7ª série, tadinho, apaixonado por você, mas tímido demais pra conseguir se declarar? Aquele, que te via e mudava de cor subitamente, e mostrava uma certa dose de desepero nos olhos?
* Se você não conheceu um garoto desses, faça o favor de imaginar pra eu poder concluir minha idéia(!)*
No fim das contas o que ele fez(?): escreveu uma carta e te deu. Não, mandou a amiga do amigo dele te dar. Escreveu, taí, cansou de tentar falar. Pode reparar: interessante isso!
E repare: esse blog é resultado disso! (momento desabafo:) As pessoas não me ouvem!
Hehe, estou brincando.

Outra coisa: escritores também são artistas, porque, se há algo que que o artista tem é uma imensa capacidade de observação. Observação - fique bem claro - não é julgamento, isso é coisa de tirano. Artista não julga ou critica, ele coloca em reflexão. Ele levanta questões, mostra o que está ali, mas que ninguém percebe sem esse olhar detalhista.
Veja o bom desenhista: ele observa mais que tudo. Seus olhos, aliados à sua memória, são parte de seus mais preciosos instrumentos.
O músico escuta. Até Bethoven não foi surdo o tempo inteiro. E mais: o músico sente. Sim, porque as ondas do som podem ser sentidas! O melhor músico é aquele que transmite na sua música o lado mais perfeito e exótico de tudo que escuta. Repare!

Mas o escritor, acho que, neste ponto ao menos, torna-se maior. Ele usa todos os seus sentidos. Ele tenta expressar o que toca, vê, ouve, sente... em letrinhas! É genial alguém que transmite - mesmo que em parte - um sentimento, uma pintura, uma música em palavras. É genial criar ritmo através do uso das palavras, criar uma estética pela escolha delas e forma de arrumá-las... É música, pintura, e pode inspirá-las. Genial. Sem dúvida.

Está aberto a discussões. As outras artes também são parte disso, mas quem gosta de ler sabe e pode entender porque um livro muda a vida de alguém.

*Peço desculpas por puxar a sardinha para os escritores por hoje. Todos percebem a beleza da arte dos músicos e dos pintores, mas ninguém percebe tão claramente a dos escritores, porque, afinal de contas, eles cansaram de tentar falar.

Lindo isso!!!

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