Achei tão bonitinho que mesmo depois de trocá-lo, acho que ele merece ser guardado.
Aí vai.
De vez em quando, acordo triste.Cheia de olheiras, SEMPRE.Pago muito mico. Sou desligada demais.Amo minha vida!Canto porque amo cantar. Porque é o meio mais perfeito que encontrei de expressar o que sinto.Odeio erro de português. Se você errar sem querer e eu te corrigir, me desculpe, é mais forte que eu. Não que eu não erre, tem hora que dá um branco e eu escrevo tudo errado...Amo escrever - mesmo sabendo que ninguém vai ler às vezes. Amo porque é o registro da alma, trasmitido por um simples papel... Que incrível.Tenho sonhos grandes... E loucos... E não, não pretendo desistir deles.Sou de verdade! Às vezes - e são muitas - não gosto de me olhar no espelho. Eu me preocupo demais com a aparência, infelizmente admito. Mas me preocupo mais em compreender a vida.Luto contra o sono. Tenho sono, mas não vontade de dormir - só de vez em quando.Amo os que estão ao meu redor: família, namorado, amigos...Gosto de algumas pessoas de graça. Estranhamente, alguns me odeiam de graça também.Não espero acontecer. Faço. A vida não vem de graça para quem não nasceu em berço de ouro.Vou ser rica um dia. Por que não? Vou criar uma entidade filantrópica. E viajar pelo mundo levando a presença de Deus (Brooke Fraser??? rsrsrs)!
sexta-feira, 4 de abril de 2008
quarta-feira, 2 de abril de 2008
Percepção - II
Meu professor estava contando que o barulho do fechamento da porta de um carro influencia as pessoas na compra. Isso soa muito estranho pra você? Bem, então você vai perceber que isso é mais normal do que você imagina.
Pense numa concessionária. Entra um visitante, aquele olhar blasé, como quem diz "vim comprar um carro, mas ainda estou apenas avaliando porque não quero gastar uma parte da minha fortuna com um carro ruim". Você sabe também que não existe fortuna nenhuma, mas ele finge que é rico para se reafirmar. Enfim. Imagina o cara, um zero à esquerda em mecânica, porém, como todo homem, achando que entende de carro pra caramba.
Ele abre o capô, finge que acha ruim ou bom, abre a mala (se for playboy, mede com mais cuidado antes de fechar para ver se o som vai caber direitinho). Abre a porta, senta no banco, põe as mãos no volante, mexe no câmbio. Bate no assento(???), abre o espelhinho. E então, fecha a porta.
Click! - aquele barulho agudinho, suave, pesquisado por cientistas para não ser muito forte. E o cliente despreza: ih, carro fraquinho.
Por isso, os carros 4X4 faz aquele BRAM! quando você fecha a porta. Se a empresa fizer um tratamento sonoro nele, o carro simplesmente não vai vender, porque os consumidores acham que é fraquinho.
Pense numa concessionária. Entra um visitante, aquele olhar blasé, como quem diz "vim comprar um carro, mas ainda estou apenas avaliando porque não quero gastar uma parte da minha fortuna com um carro ruim". Você sabe também que não existe fortuna nenhuma, mas ele finge que é rico para se reafirmar. Enfim. Imagina o cara, um zero à esquerda em mecânica, porém, como todo homem, achando que entende de carro pra caramba.
Ele abre o capô, finge que acha ruim ou bom, abre a mala (se for playboy, mede com mais cuidado antes de fechar para ver se o som vai caber direitinho). Abre a porta, senta no banco, põe as mãos no volante, mexe no câmbio. Bate no assento(???), abre o espelhinho. E então, fecha a porta.
Click! - aquele barulho agudinho, suave, pesquisado por cientistas para não ser muito forte. E o cliente despreza: ih, carro fraquinho.
Por isso, os carros 4X4 faz aquele BRAM! quando você fecha a porta. Se a empresa fizer um tratamento sonoro nele, o carro simplesmente não vai vender, porque os consumidores acham que é fraquinho.
Percepções - I - Protesto
Vivemos num mundo onde cada vez mais, somos levados por percepções. Ninguém tem saco pra ler muito, nem tempo. A informação agora é servida como num fast food: tem que ficar pronta rápido e ser consumida aqui e agora. Senão, lixo.
Aliás, com essa loucura moderna de o "novo de ontem ser velho hoje", a gente passa a achar até que nem vale a pena perder tempo coletando informações que amanhã estarão ultrapassadas.
Enfim, com tudo isso, a gente acaba vivendo de informações beliscadas. Nada é profundo. Às vezes, não passam de meras percepções.
Todo mundo - até mesmo os que têm consciência disso - sofre com os benefícios e males da influência social. Na sociedade, somos guiados muitas vezes por percepções, que acabam gerando em nós certos preconceitos, clichês e até manias completamente estranhas, mas tão socialmente explicáveis que passam a ser normais. Tudo é simplesmente questão de percepção. E a gente só passa a tomar mais cuidado com nossas muitas percepções equivocadas quando percebemos isso. Na verdade, de todas as percepções, essa é a melhor: a de perceber que, muitas vezes, enxergamos as coisas de uma maneira muito diferente da que elas realmente são.
Quer ter mais idéia do que percepção equivocada? Veja a novela das 8, Duas Caras. O nome é sugestivo, porque parece realmente fingir que mostra algo que na verdade apenas distorce.
- 1º - Líder comunitário de favela bonzinho pra caramba. Não se mete com tráfico, não manda matar ninguém. No máximo diz que vai matar, mas todo mundo sabe que não vai. Que bonito.
- 2º - Tudo quanto é pobre da favela em faculdade particular. Ou eles são ajudados por alguma megabolsa do governo Lula (haja Prouni) ou a Branca corre sério risco de ficar pobre, porque pra ajudar tanta gente, ou a faculdade é uma organização filantrópica ou está no vermelho.
- 3º - Evangélica mandando apedrejar gente. Alguém achava que nessa novela os evangélicos seriam bonzinhos? Daqui a pouco são os evangélicos que serão apedrejados na rua.
- 4º - A filha do pastor morre e o pastor some. Não me surpreenderia se ele reaparece na novela envolvido numa falcatrua. Adoram condenar os evangélicos como se fossem todos da Universal.
- 5º - Invasão na favela que acontece sem motivo. Bandido não vai sair do seu canto pra correr o risco de morrer em outra favela sem razão nenhuma pra isso. Alguém entendeu aquilo?
- 6º - A mulher é roubada pelo cara e depois ainda deixa o filho frequentar a casa dele. Sem comentários.
- 7º - Mataram a mãe-de-santo, que por sinal recebia santo o tempo inteiro.
Todo mundo sabe que é uma novela e não um documentário. Mas todas as emissoras possuem a responsabilidade que está na lei de levar cultura e não "desinformação" para a casa das pessoas. Falam como se nós, que reclamamos da Globo, estivéssemos restringindo-lhe o direito de expressão, quando na verdade, por meio disso, a emissora restringe o nosso. E convence muito gente de que é errado tentar manter um controle social sobre os programas da TV.
O que vemos nessa péssima novela é o quanto o Aguinaldo Silva é preconceituoso, ao tratar desses temas com tantos clichês sutilmente exibidos. Não é à toa que a Record cresce. O povo brasileiro está cansado dessas novelas que só passam o ponto de vista da elite carioca que mora na Zona Sul. Quando tenta falar de favela dá nisso: clichê. Porque o autor não conhece essa realidade. se conheceu um dia, foi há muito tempo atrás.
Aliás, com essa loucura moderna de o "novo de ontem ser velho hoje", a gente passa a achar até que nem vale a pena perder tempo coletando informações que amanhã estarão ultrapassadas.
Enfim, com tudo isso, a gente acaba vivendo de informações beliscadas. Nada é profundo. Às vezes, não passam de meras percepções.
Todo mundo - até mesmo os que têm consciência disso - sofre com os benefícios e males da influência social. Na sociedade, somos guiados muitas vezes por percepções, que acabam gerando em nós certos preconceitos, clichês e até manias completamente estranhas, mas tão socialmente explicáveis que passam a ser normais. Tudo é simplesmente questão de percepção. E a gente só passa a tomar mais cuidado com nossas muitas percepções equivocadas quando percebemos isso. Na verdade, de todas as percepções, essa é a melhor: a de perceber que, muitas vezes, enxergamos as coisas de uma maneira muito diferente da que elas realmente são.
Quer ter mais idéia do que percepção equivocada? Veja a novela das 8, Duas Caras. O nome é sugestivo, porque parece realmente fingir que mostra algo que na verdade apenas distorce.
- 1º - Líder comunitário de favela bonzinho pra caramba. Não se mete com tráfico, não manda matar ninguém. No máximo diz que vai matar, mas todo mundo sabe que não vai. Que bonito.
- 2º - Tudo quanto é pobre da favela em faculdade particular. Ou eles são ajudados por alguma megabolsa do governo Lula (haja Prouni) ou a Branca corre sério risco de ficar pobre, porque pra ajudar tanta gente, ou a faculdade é uma organização filantrópica ou está no vermelho.
- 3º - Evangélica mandando apedrejar gente. Alguém achava que nessa novela os evangélicos seriam bonzinhos? Daqui a pouco são os evangélicos que serão apedrejados na rua.
- 4º - A filha do pastor morre e o pastor some. Não me surpreenderia se ele reaparece na novela envolvido numa falcatrua. Adoram condenar os evangélicos como se fossem todos da Universal.
- 5º - Invasão na favela que acontece sem motivo. Bandido não vai sair do seu canto pra correr o risco de morrer em outra favela sem razão nenhuma pra isso. Alguém entendeu aquilo?
- 6º - A mulher é roubada pelo cara e depois ainda deixa o filho frequentar a casa dele. Sem comentários.
- 7º - Mataram a mãe-de-santo, que por sinal recebia santo o tempo inteiro.
Todo mundo sabe que é uma novela e não um documentário. Mas todas as emissoras possuem a responsabilidade que está na lei de levar cultura e não "desinformação" para a casa das pessoas. Falam como se nós, que reclamamos da Globo, estivéssemos restringindo-lhe o direito de expressão, quando na verdade, por meio disso, a emissora restringe o nosso. E convence muito gente de que é errado tentar manter um controle social sobre os programas da TV.
O que vemos nessa péssima novela é o quanto o Aguinaldo Silva é preconceituoso, ao tratar desses temas com tantos clichês sutilmente exibidos. Não é à toa que a Record cresce. O povo brasileiro está cansado dessas novelas que só passam o ponto de vista da elite carioca que mora na Zona Sul. Quando tenta falar de favela dá nisso: clichê. Porque o autor não conhece essa realidade. se conheceu um dia, foi há muito tempo atrás.
terça-feira, 4 de março de 2008
Amigos queridos de comunicação, não cometam os seguintes e escabrosos erros em seus textos, escrevendo coisas do tipo:
- Eu gostaria de oferecê-lo este curso de inglês do Languages. Curso no qual você aprenderá tudo sobre design gráfico.
Que negócio é esse de cortar a idéia no meio, fazendo duas frases e ainda repetindo palavras para disfarçar? Isso é horroroso. Vamos parar com esses vícios de linguagem que só servem de cabide para textos mal-elaborados.
- Eu desejo que você esteja bem aonde você está.
Regrinha de português: a palavra aonde é a junção da preposição A com a palavra onde. Logo, onde não for necessária a preposição, use a palavra ONDE. Por via das dúvidas, substitua a preposição A por PARA. Se ficar feioso, você já sabe ONDE está o problema. Tente isso na frase acima que você vai entender. Por via das dúvidas, evite essa palavra ou use a preposição para no lugar do A.
- Dê este bilhete à Marcelo.
Cruz-credo. Crase não existe antes de nenhum substantivo do gênero masculino, a não ser quando se subentende um substantivo feminino antes dele, omitido na frase. Exemplo: Comi frango à (moda) passarinho.
Crase é um problema nacional. Para ajudar: sabendo que a crase é a o artigo feminino A + preposição A, tente ver se no lugar do "azinho" de acentuação misteriosa cabe "para a". Se couber, coloque crase. Exemplo:
Fui para a China.
Fui à China.
Em casos onde o "azinho" não concorda com o substantivo que está no plural, tenha certeza que não há crase. Nestas situações, existe apenas a preposição. Ex.:
Ele distribuiu brindes a meninas de diferentes orfanatos.
Não confunda com verbo haver!!!!
Na minha sala há seis meninas. Nada de crase, não é nem artigo nem preposição. É verbo!!!
- Não adimito que se escreva errado.
Nem eu. É por isso que eu digo: procure saber a etimologia das palavras. Assim você não corre o risco de cometer um erro desses.
O prefixo é AD, de origem latina, e deu origem a palavras como advertência, admissão, advinhar... Tudo com D mudo!
- Eu incomensuravelmente estou regozijando-me por ti!
E eu incomensuravelmente encontro-me fatigada por apenas vislumbrar um vocábulo gigantesco como este. Não chega a ser claudicação o uso de palavras eruditas e de proporção superior à medíocre, todavia a compreensão do texto é dificultada por meio disto. E isto pode representar um problema, partindo do princípio que a intenção primordial da comunicação é comunicar. Concordas?
Veja a diferença, com uma linha a menos e dizendo a mesma coisa:
E eu estou muito cansada só de ver uma palavra grande como essa. Não chega a ser erro usar palavras eruditas e maiores que a média geral, mas isso dificulta a compreensão do texto. E esse pode ser um problema, se entendemos que a principal intenção da comunicação é comunicar.
- Abaixo está a cronologia temporal da evolução científica.
Entro dentro de um prédio, subo lá para cima e me auto-suicido se eu olhar com os olhos um pleonasmo redundante como esse.
- Eu desafirmo o que disseram sobre mim.
Deixe neologismos para poetas e políticos, em especial o nosso querido Ministro da Cultura Gilberto Gil.
Mando mais em breve...
- Eu gostaria de oferecê-lo este curso de inglês do Languages. Curso no qual você aprenderá tudo sobre design gráfico.
Que negócio é esse de cortar a idéia no meio, fazendo duas frases e ainda repetindo palavras para disfarçar? Isso é horroroso. Vamos parar com esses vícios de linguagem que só servem de cabide para textos mal-elaborados.
- Eu desejo que você esteja bem aonde você está.
Regrinha de português: a palavra aonde é a junção da preposição A com a palavra onde. Logo, onde não for necessária a preposição, use a palavra ONDE. Por via das dúvidas, substitua a preposição A por PARA. Se ficar feioso, você já sabe ONDE está o problema. Tente isso na frase acima que você vai entender. Por via das dúvidas, evite essa palavra ou use a preposição para no lugar do A.
- Dê este bilhete à Marcelo.
Cruz-credo. Crase não existe antes de nenhum substantivo do gênero masculino, a não ser quando se subentende um substantivo feminino antes dele, omitido na frase. Exemplo: Comi frango à (moda) passarinho.
Crase é um problema nacional. Para ajudar: sabendo que a crase é a o artigo feminino A + preposição A, tente ver se no lugar do "azinho" de acentuação misteriosa cabe "para a". Se couber, coloque crase. Exemplo:
Fui para a China.
Fui à China.
Em casos onde o "azinho" não concorda com o substantivo que está no plural, tenha certeza que não há crase. Nestas situações, existe apenas a preposição. Ex.:
Ele distribuiu brindes a meninas de diferentes orfanatos.
Não confunda com verbo haver!!!!
Na minha sala há seis meninas. Nada de crase, não é nem artigo nem preposição. É verbo!!!
- Não adimito que se escreva errado.
Nem eu. É por isso que eu digo: procure saber a etimologia das palavras. Assim você não corre o risco de cometer um erro desses.
O prefixo é AD, de origem latina, e deu origem a palavras como advertência, admissão, advinhar... Tudo com D mudo!
- Eu incomensuravelmente estou regozijando-me por ti!
E eu incomensuravelmente encontro-me fatigada por apenas vislumbrar um vocábulo gigantesco como este. Não chega a ser claudicação o uso de palavras eruditas e de proporção superior à medíocre, todavia a compreensão do texto é dificultada por meio disto. E isto pode representar um problema, partindo do princípio que a intenção primordial da comunicação é comunicar. Concordas?
Veja a diferença, com uma linha a menos e dizendo a mesma coisa:
E eu estou muito cansada só de ver uma palavra grande como essa. Não chega a ser erro usar palavras eruditas e maiores que a média geral, mas isso dificulta a compreensão do texto. E esse pode ser um problema, se entendemos que a principal intenção da comunicação é comunicar.
- Abaixo está a cronologia temporal da evolução científica.
Entro dentro de um prédio, subo lá para cima e me auto-suicido se eu olhar com os olhos um pleonasmo redundante como esse.
- Eu desafirmo o que disseram sobre mim.
Deixe neologismos para poetas e políticos, em especial o nosso querido Ministro da Cultura Gilberto Gil.
Mando mais em breve...
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
Exclusão social
Minha mãe dizia que, quando eu era criança eu questionava tudo.
"Por que é desse jeito que funciona?"
"Por que eu tenho que fazer dever de casa?"
"Por que eu tenho que dormir cedo?"
Algumas coisas eu entendi, outras não.
Mas hoje as perguntas são outras. Muito piores dos que as que eu fazia.
Antes era só curiosidade, tentar entender mesmo. Ou então birra, charminho.
Hoje é revolta.
Eu olho ao meu redor e - que me desculpem os patriotas - mas muitas vezes tenho vergonha desse país. Ainda mais porque vejo os efeitos em mim diretamente. Tudo que dizem os economistas, os estudiosos, os marketeiros... Eu tô descobrindo é na vida.
Eu sou o que alguns setores aqui no Brasil chamarão de minoria, apesar de eu ser parte da maioria em todos os sentidos.
Sou mulher, pobre e latina.
Latina talvez seja o de menos no Brasil, mas mulher e pobre é complicado.
Não que eu não goste de ser mulher! Claro que eu gosto - viu Júlio??? Apesar de ter gastar dinheiro com absorvente e não poder entrar alguns dias do mês na piscina, não chega a me entristecer.
Mas ser pobre... Meu filho, ser pobre - NO BRASIL, mais especificamente - é dose.
Eu vejo a exclusão social. Eu sinto. Ela me força a desistir, tenta parar meus sonhos, tenta ditar limites. Tudo sutilmente, pois sua tática não é tirar algo de mim, e sim não permitir que eu tenha. E por mais que eu cisme que ela está errada, ela é como uma socialite: esbanja o exagero pelos poros, passa e finge que não vê. Enquanto eu, na simplicidade do que tenho, sou obrigada a conviver com ela tentando cortar minhas asas.
Sei que tem gente em pior situação... Mas não reclamo só por mim. Reclamo por todos aqueles que, apesar de serem considerados minoria, são a imensa e esmagadora maioria.
Talvez porque sofrer sozinho dá menos vontade de continuar. Por isso às vezes você olha ao redor e só vê gigantes. Uns fantasiados, é verdade. Mas é só isso mesmo que eles que querem que você veja.
Desculpe o texto filosófico. A minha raiva é uma grandeza inversamente proporcional à minha clareza. Quanto mais raiva eu tenho, menos óbvia eu fico.
Mania de poeta - e a exclusão não vai me tirar o prazer de achar que sou poeta. Por que não? Por que agora tem curso pra poeta também? Aff.
Procuro um estágio. Não pra matar o ócio - aliás, tadinho, eu até gostaria, no fundo, de conservá-lo vivo, mas já dei a sentença.
Também não é capricho: "Eba, um estágio! Vou mostrar pra mamãe e pro papai que agora eu tenho um! Eu agora sou livre!"
Definitivamente não.
O estágio é questão de sobrevivência. é pros cursos, pro tratamento dentário - antes que os meus cisos empurrem meus dentes a ponto de virarem meus caninos -, pra ajudar nas despesas, pra eu casar... Enfim.
Mas como é difícil.
Entro na sala, aquela tensão. Ri da situação. Todo mundo nervoso, meio que coim raiva um do outro por não estar sozinho naquela seleção de estagiários. Uma espécie de Big Brother, todo mundo quer ser simpático mas ninguém que perder o prêmio.
Redação. Bosta, o diferencial das melhores empresas na competitividade de mercado. Sei lá o que é isso. Odeio essas fórmulas bossais que se aprendem em cursos de marketing pessoal.
Falei o que acho. O diferencial é ter visão, as fórmulas mudam. A diferença é arranjar soluções criativas pra problemas comuns. E é isso, simplesmente. Isso não é fórmula, isso é simplesmente visão, planejamento, criatividade.
Cada um fala de si. "Estou na segunda faculdade, estagio numa empresa suiça, tenho inglês mega-master-fluente, estudo na faculdade mais cara do rio - e meu pai paga aqueles 2mil contos todo o mês, tenho curso de como sorrir, como me vestir, com falar, como me sentar, enfim, sou um robozinho cheio do dinheiro e vim atrás de um estágio."
Ai, me desculpe. talvez não seja tanto assim mas estou tão chateada que tenho que desabafar.
E você? - olharam pra mim.
Sou bolsista, tenho 18 anos, aprendi o pouco que sei sozinha porque meus pais não têm dinheiro pra me encher de cursos, e... sou esforçada?
Risos dentro da minha cabeça. Caramba. Meu Jesus Amado, HELP.
COMO posso competir com gente rica??? Tem como??? Eu sou só uma pobre CDF que conseguiu uma bolsa, graças a Deus, Senhor obrigado porque uma faculdade eu faço.
Mas... Não tenho condições financeiras de ter tantos cursos.
Se eu tivesse dinheiro... Ai se eu tivesse....
Terminaria o curso de inglês, faria todos que pudesse de informática, não gastaria duras 2 horas de viagem pra chegar na faculdade.
Mas pra alguns, estranho, isso não é nada.
Quando vemos a oportunidade de ser alguém, a exclusão social diz: lembre-se que você é pobre, nunca vai estar entre os melhores.
O ânimo não é dos melhores depois disso.
Eu só quero uma chance.
Ah, mas eu vou conseguir. Vou dar na cara dela, safada.
"Por que é desse jeito que funciona?"
"Por que eu tenho que fazer dever de casa?"
"Por que eu tenho que dormir cedo?"
Algumas coisas eu entendi, outras não.
Mas hoje as perguntas são outras. Muito piores dos que as que eu fazia.
Antes era só curiosidade, tentar entender mesmo. Ou então birra, charminho.
Hoje é revolta.
Eu olho ao meu redor e - que me desculpem os patriotas - mas muitas vezes tenho vergonha desse país. Ainda mais porque vejo os efeitos em mim diretamente. Tudo que dizem os economistas, os estudiosos, os marketeiros... Eu tô descobrindo é na vida.
Eu sou o que alguns setores aqui no Brasil chamarão de minoria, apesar de eu ser parte da maioria em todos os sentidos.
Sou mulher, pobre e latina.
Latina talvez seja o de menos no Brasil, mas mulher e pobre é complicado.
Não que eu não goste de ser mulher! Claro que eu gosto - viu Júlio??? Apesar de ter gastar dinheiro com absorvente e não poder entrar alguns dias do mês na piscina, não chega a me entristecer.
Mas ser pobre... Meu filho, ser pobre - NO BRASIL, mais especificamente - é dose.
Eu vejo a exclusão social. Eu sinto. Ela me força a desistir, tenta parar meus sonhos, tenta ditar limites. Tudo sutilmente, pois sua tática não é tirar algo de mim, e sim não permitir que eu tenha. E por mais que eu cisme que ela está errada, ela é como uma socialite: esbanja o exagero pelos poros, passa e finge que não vê. Enquanto eu, na simplicidade do que tenho, sou obrigada a conviver com ela tentando cortar minhas asas.
Sei que tem gente em pior situação... Mas não reclamo só por mim. Reclamo por todos aqueles que, apesar de serem considerados minoria, são a imensa e esmagadora maioria.
Talvez porque sofrer sozinho dá menos vontade de continuar. Por isso às vezes você olha ao redor e só vê gigantes. Uns fantasiados, é verdade. Mas é só isso mesmo que eles que querem que você veja.
Desculpe o texto filosófico. A minha raiva é uma grandeza inversamente proporcional à minha clareza. Quanto mais raiva eu tenho, menos óbvia eu fico.
Mania de poeta - e a exclusão não vai me tirar o prazer de achar que sou poeta. Por que não? Por que agora tem curso pra poeta também? Aff.
Procuro um estágio. Não pra matar o ócio - aliás, tadinho, eu até gostaria, no fundo, de conservá-lo vivo, mas já dei a sentença.
Também não é capricho: "Eba, um estágio! Vou mostrar pra mamãe e pro papai que agora eu tenho um! Eu agora sou livre!"
Definitivamente não.
O estágio é questão de sobrevivência. é pros cursos, pro tratamento dentário - antes que os meus cisos empurrem meus dentes a ponto de virarem meus caninos -, pra ajudar nas despesas, pra eu casar... Enfim.
Mas como é difícil.
Entro na sala, aquela tensão. Ri da situação. Todo mundo nervoso, meio que coim raiva um do outro por não estar sozinho naquela seleção de estagiários. Uma espécie de Big Brother, todo mundo quer ser simpático mas ninguém que perder o prêmio.
Redação. Bosta, o diferencial das melhores empresas na competitividade de mercado. Sei lá o que é isso. Odeio essas fórmulas bossais que se aprendem em cursos de marketing pessoal.
Falei o que acho. O diferencial é ter visão, as fórmulas mudam. A diferença é arranjar soluções criativas pra problemas comuns. E é isso, simplesmente. Isso não é fórmula, isso é simplesmente visão, planejamento, criatividade.
Cada um fala de si. "Estou na segunda faculdade, estagio numa empresa suiça, tenho inglês mega-master-fluente, estudo na faculdade mais cara do rio - e meu pai paga aqueles 2mil contos todo o mês, tenho curso de como sorrir, como me vestir, com falar, como me sentar, enfim, sou um robozinho cheio do dinheiro e vim atrás de um estágio."
Ai, me desculpe. talvez não seja tanto assim mas estou tão chateada que tenho que desabafar.
E você? - olharam pra mim.
Sou bolsista, tenho 18 anos, aprendi o pouco que sei sozinha porque meus pais não têm dinheiro pra me encher de cursos, e... sou esforçada?
Risos dentro da minha cabeça. Caramba. Meu Jesus Amado, HELP.
COMO posso competir com gente rica??? Tem como??? Eu sou só uma pobre CDF que conseguiu uma bolsa, graças a Deus, Senhor obrigado porque uma faculdade eu faço.
Mas... Não tenho condições financeiras de ter tantos cursos.
Se eu tivesse dinheiro... Ai se eu tivesse....
Terminaria o curso de inglês, faria todos que pudesse de informática, não gastaria duras 2 horas de viagem pra chegar na faculdade.
Mas pra alguns, estranho, isso não é nada.
Quando vemos a oportunidade de ser alguém, a exclusão social diz: lembre-se que você é pobre, nunca vai estar entre os melhores.
O ânimo não é dos melhores depois disso.
Eu só quero uma chance.
Ah, mas eu vou conseguir. Vou dar na cara dela, safada.
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